domingo, 23 de fevereiro de 2020

Circulando

Nada do que fazia condizia com o planejado, naquele estado em que o arrependimento ainda não deu sua pancada dura de realidade, e no entanto o sonho começa a despir seu manto leve, e o onírico é reconhecido como tal.
Estava cachorro depois do banho, rolando na terra vermelha só pra comemorar a limpeza. Atrapalhada e feliz de tudo, sabendo que algumas coisas não podem ser refeitas, e mesmo assim escolhendo o colorido da corda bamba à retidão cinza do asfalto.
Lambeu a mão de alguém que oferecia qualquer pedaço de si, aceitou a gentileza, humilde e simples de sempre. Uma vida a receber pequenos presentes: panos de prato, tragadas de cigarro, pão e chá. Reciclava-se. Já havia percebido que a dificuldade principal seria a formação de laços. Mais que a gênese, a manutenção. Como ser junto se tudo é uno? Se se é uma coisa só, não faz sentido unir-se. Já se é antes de separar-se. Seguiu.