Resistir, reexistir, reviver. Reiteradas vezes passar nos mesmos caminhos.
Nosmesmos trilhos, na mesma rota que tracei pra mim.
Estrada, vereda, picada, trilha, rumo, rua.
Não tem endereço fixo (físico), é passagem.
Móvel, mutante, cigano, andarilho, nômade.
Se é o mesmo diferente de sempre.
Nada, ausência, amplidão.
Todo estupor da existência se revela numa classificação deletéria de si.
Porque é assim? Saber, conhecer, aprender, experimentar.
Se revela a si, confunde-te.
Confúncio aplicando teste de personalidade na milenar China.
Saberíamos nós de onde vem tantas interrogações?
O NOVO JÁ PASSOU
o noivo está parado na porta da igreja, com um velho buquê na mão
O NOVO AINDA ESTÁ POR VIR
o velho noivo se casou porque faltava gasolina em seu automóvel, deu carona para alguma noiva em fuga e ali mesmo celebraram a nova união
O NOVO É AGORA
velho novo todo tempo inventando existências possíveis
terça-feira, 28 de março de 2017
Abismo existir
Ando dois passos e o abismo se afunda mais
Léguas a minha frente, caminho ainda
O tempo se acelera
Como uma esponja absorvo viscosidades, caminho ainda
Baixa o teto, baixa a luz
Quietude no repouso
Pensamento abrupto
Violento
Choque
Marcas de torções revelam os giros apressados
Céleres
Nada célebres
Linearidade do tempo aprendido na escola
Possibilidades complexas do viver
E se não existe calma? Maremoto, furacão
Placas tectônicas deslocam-se lentas sob nossos pés
Erupção da minha mão na tua, olho teu olho de vidro
Balanço calmo no castelo d’água, ninar
A calma me agita
Ruas, estradas, pessoas
Névoa densa entre meus dedos
Calor
às
07:21
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Afetos
Todo afeto é toque na caixa de ressonância entre a cervical e o diafragma, ali ecoa, tamborila leve ou forte, soa leve ou forte pra longe ou perto dali. Os dentes sorriem, sorriram sorridentes, e quase qualquer coisa de alegre me toma as angústias nas mãos e faz esquecer da miséria do homem idoso vendendo panos de prato serigrafados aos passantes impacientes que se agitam na esquina da Rio Branco. Dentes do boneco estampado no pano que me afetara às 15:30h de um dia qualquer.
às
14:32
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