sábado, 6 de junho de 2015

Deixa eu dizer?

Será que existe mesmo algum amor feito eu inventei pra mim?
-       E se tu tivesse pensado em mim antes?
Não consegui, tenho dúvidas da minha capacidade de me colocar no lugar do outro (apesar de tudo me doer profundamente).
-       O que queres comigo?
Um aconchego, a certeza de que as coisas se acalmarão, um bem-querer recíproco e despreocupado. Talvez fé. Principalmente fé.

DAS POSSIBILIDADES:

1. O quadro da dor

-       Não sou capaz de fazer isso comigo novamente!
[É brutal a falta de sentido. Todos andam para não ficar parados. O sol brilha só porque já está acostumado. Sem palavras delicadas. Sem proteção. Desamparo interminável.]

2. A lenta recuperação

-       Agora tu me vens falar de fé? E toda crença que depositei naquele conforto a 2?
O que dizer? Me desculpe? Volta? Já são quase dois anos e ainda sofro. Me arrependo da minha insularidade setentrional. O certo era ter ficado perto. Descobrir o que poderia acontecer perto. Sentir os calafrios de estar junto, e a ansiedade boa das 15h, quando chegas as 17h.

3. A linda e doce ilusão de ser amado

Quem sabe tentamos uma vez mais? Ainda há esse espaço pra esse bem-querer recíproco? Todo fragmento constrói uma história que pode valer a pena (ou essas eletroletras). Lembro e esqueço tudo. Lembro da caixa do João Cabral de Melo Neto, que o amor consumia tudo. Lembro de um certo ar avoado que exprime muito. Lembro da mão na cintura, dos bailinhos, dos sorrisos. Lembro da doçura do encontro, e das partidas que revelavam que deixar-se estar também pode ser difícil. [Sei que agora é o meu momento de sinalizar qualquer coisa, mas e se for tudo ilusão? Calma,  que tudo se acerta].

 Lembro da despedida no último sábado à noite. Podia ser um até breve de quem não se importa, mas eu vi um foi-e-voltou que me deixou com o coração (em chamas) na mão.  É isso tudo ilusório?

Enquanto não sei se quero descobrir qual dos cenários vai se apresentar. Penso e canto com o teu amigo “qual é o comprimido que se toma pra assistir tranquilo ao teatro de sombras?”. E amanhã vou dormir sem despertador.