Será que existe mesmo algum amor feito
eu inventei pra mim?
-
E se tu tivesse pensado em mim antes?
Não consegui, tenho dúvidas da minha capacidade de me
colocar no lugar do outro (apesar de tudo me doer profundamente).
-
O que queres comigo?
Um aconchego, a certeza de que as coisas se acalmarão, um
bem-querer recíproco e despreocupado. Talvez fé. Principalmente fé.
DAS POSSIBILIDADES:
1. O quadro da dor
-
Não sou capaz de fazer isso comigo novamente!
[É
brutal a falta de sentido. Todos andam para não ficar parados. O sol brilha só
porque já está acostumado. Sem palavras delicadas. Sem proteção. Desamparo
interminável.]
2. A lenta
recuperação
-
Agora tu me vens falar de fé? E toda crença que
depositei naquele conforto a 2?
O que dizer? Me desculpe? Volta? Já são quase dois anos e
ainda sofro. Me arrependo da minha insularidade setentrional. O certo era ter
ficado perto. Descobrir o que poderia acontecer perto. Sentir os calafrios de
estar junto, e a ansiedade boa das 15h, quando chegas as 17h.
3. A linda e doce
ilusão de ser amado
Quem sabe tentamos uma vez mais? Ainda há esse espaço pra
esse bem-querer recíproco? Todo fragmento constrói uma história que pode valer
a pena (ou essas eletroletras). Lembro e esqueço tudo. Lembro da caixa do João
Cabral de Melo Neto, que o amor consumia tudo. Lembro de um certo ar avoado que
exprime muito. Lembro da mão na cintura, dos bailinhos, dos sorrisos. Lembro da
doçura do encontro, e das partidas que revelavam que deixar-se estar também
pode ser difícil. [Sei que agora é o meu momento de sinalizar qualquer coisa,
mas e se for tudo ilusão? Calma, que
tudo se acerta].
Lembro da despedida
no último sábado à noite. Podia ser um até breve de quem não se importa, mas eu
vi um foi-e-voltou que me deixou com o coração (em chamas) na mão. É isso tudo ilusório?
Enquanto não sei se quero descobrir qual dos cenários vai
se apresentar. Penso e canto com o teu amigo “qual é o comprimido que se toma
pra assistir tranquilo ao teatro de sombras?”. E amanhã vou dormir sem despertador.