domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tudo o que você podia ser

"Você tem medo de ficar covarde?" - Personagem de filme nacional, menor, sofreu uma perda ainda no trailer e vive em um oásis carioca. - "Com que idade isso é normal? Com trinta? Com quarenta? Ou com vinte e cinco?"

Mulher de vinte e cinco, brasileira, burocrata de aluguel e rebelde. Nenhuma disposição de ficar covarde, avançando em saberes de dentro de si, e descobrindo o mundo e os outros. Planos estabelecidos, não tão claros para que não se tornem inexequíveis. Preocupada com a possibilidade de um dia tornar-se covarde.

O olhar da jovem atriz ri quando diz vinte e cinco. E a canção do Belchior ecoa na memória da jovem burocrata rebelde, tenho 25 anos, de sonho e de sangue, e de América do Sul. Disposição para subverter o que esteja estabelecido em desacordo com a justiça e a fraternidade há. Não há idade para ficar covarde. A juventude mercantil é tão covarde em seus desejos que enoja e repele o contato. Mas ainda há esperança.

O que não dá é pra aceitar como dado tudo aquilo que nos constrangemos de explicar para crianças pequenas. Não, não está estabelecido que as condições são imutáveis. Não, não vamos deixar que fique como está sem questionar. Si, tenemos ganas de cambiar todo.

Ainda vem aquela maravilhosa Mercedes pra dizer que los imprescindibles son los que luchan por toda la vida. Aí o dramaturgo alemão aplaude e a jovem burocrata sem nenhuma vocação pequeno-burguesa segue vivendo.