E eu, que não sou funcionária pública, mas funciono como se o fosse, me identifico profundamente (y una vez más) com as excentricidades desse mineiro genial.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Campos de Carvalho
Ainda embevecida por "A Lua Vem da Ásia", encenada lindamente pelo sub-aproveitado teledramaturgicamente Chico Diaz, procuro pelo autor Campos de Carvalho. Não encontro livros na imensidão da internet, mas uma frase muito simpática recolhida de uma entrevista ao finado O Pasquim: "Nasci clown e morrerei clown, embora a vida toda tenha sido um mero funcionário público. (Todos os funcionários públicos são meros, quando deveriam ser melros). "
às
15:03
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Ansiedade
Precisa mesmo de tanto pensar?
Acalmar a mente, tranquilizar os membros num balanço suave de ninar adultos indóceis.
Desliga neném, desliga meu bem.
Ainda escuto os carros andando velozes na avenida que fica atrás da minha fronha, abaixo do meu corpo deitado na cama. Esse zunido não é uma cantiga terna.
Sempre parado e sempre em movimento. Ainda se estivesse chovendo e o barulho da água lavando a cidade me desse a plácida ilusão de uma noite para aquecer-se e dormir. Enquanto isso, tremo de frio e de angústia por não conseguir aquietar-me e satisfazer-me de sono. Justo sono dos trabalhadores. Ainda bem que amanhã é sexta.
às
21:24
domingo, 20 de fevereiro de 2011
De como se perde a cabeça
Dizia sempre que estava adorando aprender. Tudo. Culinária fusion indo-tupiniquim, sobrevivência de invertebrados extremófilos, como desmontar armários em apenas quinze minutos, cuidados de bebês prematuros, poesia grega moderna, psicanálise, corte e costura e outros papos assim.
Não aprendeu com quantos paus se faz uma canoa.
Não aprendeu com quantos paus se faz uma canoa.
às
14:30
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Na avenida
Ia andando devagar naquela mescla de dia útil e feriado.
(Quarta-feira de Cinzas sempre ganha uns ares assim, de dia que é remarcado no calendário, dia pra não existir, ou pelo menos pra não ter que dar explicação. Cinzas é um dia de luto pelo fim do sonho, da volta ao pecado e à culpa, e o início da purgação pelo sonho que ficou pro próximo Carnaval.)
Antevendo essa quarta trágica ela decidiu sair nua na avenida. Era véspera de Natal.
(Quarta-feira de Cinzas sempre ganha uns ares assim, de dia que é remarcado no calendário, dia pra não existir, ou pelo menos pra não ter que dar explicação. Cinzas é um dia de luto pelo fim do sonho, da volta ao pecado e à culpa, e o início da purgação pelo sonho que ficou pro próximo Carnaval.)
Antevendo essa quarta trágica ela decidiu sair nua na avenida. Era véspera de Natal.
às
18:30
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Tudo o que você podia ser
"Você tem medo de ficar covarde?" - Personagem de filme nacional, menor, sofreu uma perda ainda no trailer e vive em um oásis carioca. - "Com que idade isso é normal? Com trinta? Com quarenta? Ou com vinte e cinco?"
Mulher de vinte e cinco, brasileira, burocrata de aluguel e rebelde. Nenhuma disposição de ficar covarde, avançando em saberes de dentro de si, e descobrindo o mundo e os outros. Planos estabelecidos, não tão claros para que não se tornem inexequíveis. Preocupada com a possibilidade de um dia tornar-se covarde.
O olhar da jovem atriz ri quando diz vinte e cinco. E a canção do Belchior ecoa na memória da jovem burocrata rebelde, tenho 25 anos, de sonho e de sangue, e de América do Sul. Disposição para subverter o que esteja estabelecido em desacordo com a justiça e a fraternidade há. Não há idade para ficar covarde. A juventude mercantil é tão covarde em seus desejos que enoja e repele o contato. Mas ainda há esperança.
O que não dá é pra aceitar como dado tudo aquilo que nos constrangemos de explicar para crianças pequenas. Não, não está estabelecido que as condições são imutáveis. Não, não vamos deixar que fique como está sem questionar. Si, tenemos ganas de cambiar todo.
Ainda vem aquela maravilhosa Mercedes pra dizer que los imprescindibles son los que luchan por toda la vida. Aí o dramaturgo alemão aplaude e a jovem burocrata sem nenhuma vocação pequeno-burguesa segue vivendo.
Mulher de vinte e cinco, brasileira, burocrata de aluguel e rebelde. Nenhuma disposição de ficar covarde, avançando em saberes de dentro de si, e descobrindo o mundo e os outros. Planos estabelecidos, não tão claros para que não se tornem inexequíveis. Preocupada com a possibilidade de um dia tornar-se covarde.
O olhar da jovem atriz ri quando diz vinte e cinco. E a canção do Belchior ecoa na memória da jovem burocrata rebelde, tenho 25 anos, de sonho e de sangue, e de América do Sul. Disposição para subverter o que esteja estabelecido em desacordo com a justiça e a fraternidade há. Não há idade para ficar covarde. A juventude mercantil é tão covarde em seus desejos que enoja e repele o contato. Mas ainda há esperança.
O que não dá é pra aceitar como dado tudo aquilo que nos constrangemos de explicar para crianças pequenas. Não, não está estabelecido que as condições são imutáveis. Não, não vamos deixar que fique como está sem questionar. Si, tenemos ganas de cambiar todo.
Ainda vem aquela maravilhosa Mercedes pra dizer que los imprescindibles son los que luchan por toda la vida. Aí o dramaturgo alemão aplaude e a jovem burocrata sem nenhuma vocação pequeno-burguesa segue vivendo.
às
11:26
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