segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Religare

Recuperar as coisas que te são caras é como estar entre o imprestável acumulado e o indispensável esquecido, a garimpar. Rever tudo o que foi prioridade, se ainda se justifica desta forma. Vai esvaziar todas as gavetas, cabides e prateleiras pra remontá-los em nova ordem. Faxina por dentro da alma. Reencontrar-se consigo e sobreviver satisfazendo os caprichos da personalidade e as exigências do caráter.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Histamina

Poeira rebrilhando na contraluz
-Não espirres alto, meu bem!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Intempéries de dentro

Quando chove em mim fico louca
Quero cantar entre muros frouxos lentamente
Quando couber enfim muitas frágeis línguas
Quase como empáfia mentirosa falando loucuras
Que carregando entulhos mostra franca leveza


Chove chuvinha de nada

Não te escuto dormindo à toa
Nem te quero tamborilando
Assim, aqui
Perto de mim

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

examinando o silêncio

tocando leve as cordas
suave feito brisa

ausência cheia de sons
mudo eu, de vez,
basta a permanência

queres ainda mais?

tem o sonho em que
entramos na orquestra
e os músicos aplaudem

saco meu violino
-surdo
tu me pedes outras
palmas

não possso te
-clap
não quero mais
-clap
volta e canta
pra mim

baixo e doce
pé de ouvido
surdo-mudo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Frio II

Tem um sol bonito depois do vidro, parece que esquenta alguma coisa longe daqui. Não posso deixar o frio entrar de vez. Me mantenho aquecida. Exercício de autocontrole: inspiro/expiro, nariz/boca, vem por dentro, reprocesso/sai.

Existia uma prosa toda azul antes do canto cor de chumbo. Porque as vontades vem e vão, balançam como um lustre caro numa sala pouco usada em dia de ventania, desejo e não desejo, querer sem bem querer. Pronto passou, agora vamos.