quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Em dias sonoros (I)

A queda já era fato quando deu-se a manhã. No abrigo da marquise vimos juntos o não-som, a chuva aquietou-se para ouvirmos, mas não houve ruído algum. Foi na madrugada, e era frio na cidade-fim. A calçada aumentou o tamanho de suas pedras, as luzes do décimo quarto tornaram-se ínfimas. Brilhozinhos sem significado foram cimentados ao lado de meia dúzia de pombos. Vida caída. Pensavas que já não era mais teu tempo, ao menos pensávamos que pensavas, se fosse fato que pensássemos qualquer coisa além de nós mesmos.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Rapazes do Fundo

Saíram mudando suas coragens, deixaram suas impaciências no quintal, adentraram despidos de anterioridades catastróficas. Eram só dois. Em um. E aos contatos sentiam sono, e pediam por seus dias programados, libertavam-se das mães. O lixo retornava a origem, reprocessado, repassado, dividindo a culpa de existir podre e cheirar mal.

Não queriam assim, queriam sublime, mereciam. Os ídolos de pés macios calam quando não soam tão alegres, e os meninos subiram as escadas ansiando pela vista livre, pelos dias azuis e gordos. Foram viver com treze meses de amor e, lindo é ainda na maturidade da aliança.