segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Em sol arado

Foi como se tivessem depositado fertilizante na estrela. Hoje ela estava robusta, forte, cheia de vida, gorda e brilhante. Reluzente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Com sequências

Quando é dentro, sempre longe junto perto quase nunca tudo acaba.Segue rindo brinca vê e janta e dança e planta e traz um vento dentro.Quando.Sempre chove na primavera que se estende.Bem no longe tem inverno novamente.As estações ficam loucas, ficam juntas, se confundem.E no ritmo das coisas podeserqueacabemassiminseparáveis.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sinceras boas idéias

Tem cinquenta e um dias que não durmo ao teu lado, não te espero mais, mas ainda sinto falta de passar minhas pernas pelas tuas, e de afundar a cabeça no teu braço, braço-travesseiro. Ontem ainda fiquei de bruços esperando os beijos nas costas, esperando em vão, imaginando a cafonice e o ridículo desse pedido de carinho íntimo.
Perdi a vergonha e admiti a carência, ao menos pra mim, e a mim basta pra reconhecer pro mundo que ela existe e é boba. Such a silly thing. E será que a vida é isso, um eterno perceber do quão bobos somos?
Às vezes me emociono e embargo a voz, quase me engasgo numa profusão de sentimentos infantis, e percebo como fica longe aquela imagem de super-super que invento e vendo pra quem quiser comprar. Só queria um chá quentinho numa tarde de chuva, e deixar que a chuva de dentro vá embora, vá pra puta que pariu e deixe o sol de dentro - que é lindo, redondo, amarelo e laranja, e ainda faz suar - brilhar pra além dessa menina órfã que chora por cada brinquedo quebrado e cada amor desfeito.
Brilha sol!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Laço

Lenço no pescoço, sentido o suor. Saliva saindo suave.

-Solta, se solta!

Suave. Me chama, me queira, me leva embora e deixa tudo pra depois.

-Solta, se solta!

Fumaça sem sorte. Doce do teu açúcar.

-Me dá teu pedaço?

De nada.

Dá nada.

Mudança e só. Sigo sorrindo, subindo as escadas. Assobio sem soar. Sobe junto?

Pra dar um nó e ser um só. Sentindo o suor de cinco.

Suave coisa nenhuma.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tempo outro

Coisa de sentir-se junto, de se saber no outro.
Pegar na tua mão bem forte e ir vivendo tudo.
Queria sempre assim.

Ser o ardor proibido quando chovia forte,
[e a colcha bagunçada de laranja coloria mudo.]
Tua mão bem forte, e via tudo fundo.

No proibido ardor, se perceber no outro.
E se querendo junto.
Sentindo o laranja da chuva cobrir o mundo.

Bem forte e bem fundo.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Cinemascope

Tudo passa em vinte e quatro quadros, e ele se engana querendo. O estalido seco, quase mudo. Do que mais precisa? Vê rápido, total.
Vê parte, um cheiro lento. Floresce desacelerando. Ânima, animal, alma. Bicho vê tudo que sobe estático. Ilusão, movimento, nada. Proporções.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Dos Líquidos

Chove nas ruas da cidade qualquer. Ninho de passarinho molhado. Continua saindo vermelho de dentro do ovo do mundo, sinal que tudo vai bem. Pra quem? Chove nas ruas observadas por todos, chove acima de nós. Chove e faz frio. Frio de dentro do ovo do mundo, vermelho e sangrando e doído ovo do mundo sem ninho. Sozinho.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Da espera

Espera o tempo que vem, e alcança tudo que cai.

Namorada dos olhos teus, de um sem-nome que arde. Quanto mais sinto essa ausência passageira dos dias azuis. Será mesmo que está tudo tão certo? Sem fim de mim, de ti, da tarde que vai. Roxo, rosa, laranja de todo espectro dos olhos nossos. E tu não vens.

Hoje, nem amanhã. Ai de mim.


sexta-feira, 7 de março de 2008

Em dias sonoros (II)

No espaço exíguo, aquele mar de pés molhados a espremerem-se junto à novíssima manchete. Não tinha espaço nem pra você, nem pra mim, mesmo solícitos, não éramos presentes ali. Definitivamente não éramos os presentes daquela madrugada/manhã semi-consciente. Talvez um pouco menos de pressa, ou de paciência, como poderíamos pensar além de nós? A queda foi anunciada, foi replicada, foi cancelada, foi dada como incerta, e a culpa ronda agora naquele barulho sonolento, em dois roncos insones. Adormecemos antes, e tu nos acorda sempre agora. Todas as noites, antes do amanhecer.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Em dias sonoros (I)

A queda já era fato quando deu-se a manhã. No abrigo da marquise vimos juntos o não-som, a chuva aquietou-se para ouvirmos, mas não houve ruído algum. Foi na madrugada, e era frio na cidade-fim. A calçada aumentou o tamanho de suas pedras, as luzes do décimo quarto tornaram-se ínfimas. Brilhozinhos sem significado foram cimentados ao lado de meia dúzia de pombos. Vida caída. Pensavas que já não era mais teu tempo, ao menos pensávamos que pensavas, se fosse fato que pensássemos qualquer coisa além de nós mesmos.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Rapazes do Fundo

Saíram mudando suas coragens, deixaram suas impaciências no quintal, adentraram despidos de anterioridades catastróficas. Eram só dois. Em um. E aos contatos sentiam sono, e pediam por seus dias programados, libertavam-se das mães. O lixo retornava a origem, reprocessado, repassado, dividindo a culpa de existir podre e cheirar mal.

Não queriam assim, queriam sublime, mereciam. Os ídolos de pés macios calam quando não soam tão alegres, e os meninos subiram as escadas ansiando pela vista livre, pelos dias azuis e gordos. Foram viver com treze meses de amor e, lindo é ainda na maturidade da aliança.